Com o início da fase de implantação em 2026, a Reforma Tributária já começa a produzir seus primeiros efeitos práticos. Essa etapa inicial da transição inaugura um novo cenário para as empresas, exigindo atenção à organização operacional, à gestão tributária e aos reflexos na formação de preços.
Esse é um período em que o contribuinte deve analisar com atenção como a nova estrutura de tributos afeta seus custos, margens e relações comerciais, especialmente com fornecedores e clientes. Alterações na carga tributária e na forma de apuração dos impostos podem exigir revisões de políticas internas e ajustes operacionais.
Os contratos firmados sob o regime anterior merecem atenção específica. Muitas cláusulas econômicas e de repasse tributário foram construídas considerando regras que estão sendo gradualmente substituídas. Com isso, pode ser necessário reavaliar o equilíbrio econômico-financeiro desses instrumentos e discutir eventuais adequações ao novo cenário.
Outro ponto relevante é a emissão de notas fiscais e a adaptação dos sistemas. As empresas precisam acompanhar as mudanças nos modelos de documentação fiscal, garantindo que seus processos estejam alinhados às novas exigências legais e aos períodos de transição estabelecidos.
Os impactos no contencioso tributário
Em períodos de profundas mudanças no sistema, é comum que a administração tributária espere dos contribuintes determinadas condutas voltadas à regularização de pendências do passado, intensificando a cobrança de créditos tributários antigos. Além disso, a convivência entre o regime atual e o novo modelo, somada às incertezas inerentes à fase de transição, pode gerar gatilhos para novos questionamentos e disputas fiscais, tanto administrativas quanto judiciais.
Nesse contexto, o contencioso tributário passa a refletir não apenas divergências interpretativas, mas também o esforço de acomodação do sistema a um novo modelo que busca, justamente, maior previsibilidade e segurança jurídica. Por essa razão, a adoção de uma postura preventiva, com revisão de passivos e definição de estratégias claras para o contencioso, torna-se fundamental.
A Reforma Tributária tem como um de seus propósitos a redução de litígios e a simplificação da tributação. Espera-se, contudo, que em sua fase inicial haja um aumento de contencioso, em decorrência das novas regras de apuração e creditamento, dos novos regimes especiais, além de desafios instrumentais relacionados ao cumprimento das obrigações acessórias
Empresas devem analisar a carga tributária atual em comparação com a carga tributária aplicada em cada ano da transição, considerando ainda os efeitos dos créditos a serem tomados pelos compradores. A precificação é um dos principais desafios neste momento